Sento-me à espera que o tempo passe.
Com o tempo a meu lado, à espera que eu passe por ele.
E ficamos um ao lado do outro, como quem espera por si.
Enquanto ficamos nada é eterno, e tudo dura para sempre.
Não há horas que passem, nem receio chegar atrasado.
Os ponteiros estão sobre o meu ombro com preguiça de rodar.
Talvez fiquem tontos. Um quarto de hora. Três horas e meia. Seis horas e três quartos. Dias.
E os ponteiros não se agoniam?
Nesses ciclos viciantes, estonteantes, repetidos
e sofridos e aproveitados e sôfregos?
Pudessem eles rodar em sentido contrário para contrariar o sentido habitual.
O sentido contrário aos ponteiros do relógio.
O sentido contrário a si mesmos.
Pudesse eu andar em sentido contrário a mim mesmo.
E em sentido contrário ao do tempo.
E correr em sentido contrário ao do trânsito, e mais rápido que a luz.
Essencialmente em sentido contrário ao do tempo.
Pudessem os ponteiros acertar-me e enterrar-me no cimento que piso.
Prender-me ao chão que me pisa pelos tornozelos sem ter como ir.
Sem ter como ir atrás do tempo.
Sem o tempo a empurrar-me para onde quer que ele vá.
Quem é o corajoso filho da puta que dá corda ao relógio do mundo?
Com o tempo a meu lado, à espera que eu passe por ele.
E ficamos um ao lado do outro, como quem espera por si.
Enquanto ficamos nada é eterno, e tudo dura para sempre.
Não há horas que passem, nem receio chegar atrasado.
Os ponteiros estão sobre o meu ombro com preguiça de rodar.
Talvez fiquem tontos. Um quarto de hora. Três horas e meia. Seis horas e três quartos. Dias.
E os ponteiros não se agoniam?
Nesses ciclos viciantes, estonteantes, repetidos
e sofridos e aproveitados e sôfregos?
Pudessem eles rodar em sentido contrário para contrariar o sentido habitual.
O sentido contrário aos ponteiros do relógio.
O sentido contrário a si mesmos.
Pudesse eu andar em sentido contrário a mim mesmo.
E em sentido contrário ao do tempo.
E correr em sentido contrário ao do trânsito, e mais rápido que a luz.
Essencialmente em sentido contrário ao do tempo.
Pudessem os ponteiros acertar-me e enterrar-me no cimento que piso.
Prender-me ao chão que me pisa pelos tornozelos sem ter como ir.
Sem ter como ir atrás do tempo.
Sem o tempo a empurrar-me para onde quer que ele vá.
Quem é o corajoso filho da puta que dá corda ao relógio do mundo?