domingo, 21 de setembro de 2014

Tu Que Ardes Curas

Não te abraçaria se os teus braços não fossem arame farpado
de pontas ferrugentas embebidas nalgum remédio que tu lá sabes.
E que cura de modo intravenoso por me abraçares tão fundo.

Não te abraçaria se a tua pele não fosse gelo que queima
e que teima em me arder, untado com alguma pomada que tu lá sabes.
E que cura de forma cutânea por me abraçares tão junto.

Não te abraçaria se não me doesse tocar-te. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ambíguo

Quero multidão. 
Sufocar em calor humano
Pisadelas de euforia citadina.

Quero solidão.
Me. E só.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Lisboa Também Não Dorme

Lisboa também não dorme.
(É insónia quando cheira a madrugada bêbeda.
É o silêncio da solidão apetecível escrito nas ruas desertas
da noite quase diurna.
É a arte no chão de calçada descalça que quem pisa ama.
A voz do fado bairrista e das guitarras tangentes.)
Mas sonha!