sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ensurdece-me

Tempestuoso ensurdecedor ruído.
Traz-mo.
Berros que calem as perguntas dos outros
e os eternos diálogos silenciosos comigo mesmo.
Quero barulho que cale o barulho.
Quero gritos que silenciem os sussurros
e abafem as conversas em tom monótono
e convencional e civicamente suportáveis.

Porque não grito eu?
Porque não grita quem passa por mim na rotina?
É rara a garganta que me faça deixar
de ouvir de tão exagerado berro.
É cara a dor de querer os tímpanos surdos
de tanto estrépito constante.
Traz-me a cidade e o trânsito e o barulho das luzes
e o barulho dos pensamentos dos anónimos
e o barulho da arte de viver de cada um.

Ou só o barulho da arte.

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