domingo, 8 de junho de 2014

Está um bêbedo no meio da estrada.

Está um bêbedo no meio da estrada.
Cheira a colónia barata e vinho de mesa.
Tem a vida embriagada de si próprio
e bebe lado a lado com a tristeza
de ser bêbedo e de estar no meio da estrada.
Bebeu para esquecer e esqueceu-se de beber menos.
Mais um anónimo com sangue no álcool…
Pudesse ele conhecer a sóbria distância entre
esquecer e relembrar a sobriedade.
Caiu de encontro ao alcatrão, que lhe escutou os segredos
escondidos pela racionalidade que o álcool devora.
A estrada respondeu-lhe com o silêncio que ele merecia
e ofereceu-se para ser cama.
Está bêbedo.


Só tenho pena de estar no meio da estrada.

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