segunda-feira, 30 de junho de 2014

Só quando olho sozinho vejo direito. Não há outra maneira de olhar senão sozinho. Sem que ninguém, senão apenas eu, me interrompa as teorias acerca do tudo o que há, de tudo o que devia haver, da maneira como tudo o que há surgiu e de como estará para surgir o que nada há. Só quando só, me digno a absorver cada reflexo do céu amanhecente em cada ondulação do rio.

Haverá outra maneira de ver senão sozinho? 

Os diálogos silenciosos de mim para comigo não deixam que nada me seja alheio. E tudo é barulho. Mesmo o silêncio urbano da madrugada lisboeta. E as ruas desertas da Lisboa dos poetas. Só quando só, me são constantes. Por ninguém me passar despercebido na rua, no caminho para cá ou na fuga para lá, cada um faz parte de mim sem que eu faça parte de nenhum.

Haverá outra maneira de falar senão sozinho?

É sozinho que me duvido. E me divido em dúvidas. E duvido dos outros e ponho tudo em causa. Pondero duvidar, e duvido mesmo. Há que pôr tudo em causa se quero saber a causa de tudo. Só quando só, me digno a crer. É na dúvida que sempre esteve a resposta. Não tenho dúvidas disso. A sós, eu e a conclusão concluída com ponto de interrogação.

Haverá outra maneira de ser senão a sós?

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