domingo, 14 de dezembro de 2014

Gravata Torta

Sei quem lá vem, sem bater à porta.
Visto-me bem. Gravata torta.
Sei quem lá vem, com pressa arrastada.
Visto-me bem. Gravata apertada.
Sem quem lá vem, sem subir a escada.
Visto-me bem. Gravata sufocada.
Sei quem lá vem, a morte está à porta.
Visto-me bem. Gravata torta.

Sem quem entrou, sem pedir licença.
Visto-me bem. Gravata de sentença.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Vem cá, antes que chova

Vem cá, antes que chova
Antes que escorregues em alguém
e te esfoles por dentro sem mim.

Vem cá, antes que chova
Antes que te prendam no tráfego humano
e sufoques no bafo de quem não sou.

E antes que chova passa por cá,
Antes que encharques a alma com a alma de outrem.
Antes que te molhes com alguém que não eu.

(E quando vires o sol foge.
Deixaste de chorar.
E a poesia não nasce senão de tristeza.)

domingo, 9 de novembro de 2014

Depende

Já não vivemos sem luz em casa. Sem luz nas mãos.
Que será de nós quando o sol fundir?

Já não vivemos sem água em casa. Sem água na boca.
Que será de nós quando os beijos secarem?

Já não vivemos sem panos em casa. Sem panos na pele.
Que será de nós quando a vida nos despir?

Já não vivemos sem ouro em casa. Sem ouro nos bolsos.
Que será de nós quando as calças nos roubarem?

Já não vivemos sem ninguém em casa.
Nem nas mãos, nem nos bolsos, nem na boca.
Nem na pele.
Que faremos nós de nós, quando um de nós partir?

sábado, 18 de outubro de 2014

O que é que sobra da alma de quem não ama?

O que é que sobra da alma de quem não ama?
Quais os restos de quem não tem o sentimento anfíbio
que rasteja em si e nada no sangue de alguém?
Sobra a alma toda. 
É-se pela metade por faltar a outra. A outra alma.
Sobra a alma toda. E é tão pouco.

domingo, 21 de setembro de 2014

Tu Que Ardes Curas

Não te abraçaria se os teus braços não fossem arame farpado
de pontas ferrugentas embebidas nalgum remédio que tu lá sabes.
E que cura de modo intravenoso por me abraçares tão fundo.

Não te abraçaria se a tua pele não fosse gelo que queima
e que teima em me arder, untado com alguma pomada que tu lá sabes.
E que cura de forma cutânea por me abraçares tão junto.

Não te abraçaria se não me doesse tocar-te. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ambíguo

Quero multidão. 
Sufocar em calor humano
Pisadelas de euforia citadina.

Quero solidão.
Me. E só.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Lisboa Também Não Dorme

Lisboa também não dorme.
(É insónia quando cheira a madrugada bêbeda.
É o silêncio da solidão apetecível escrito nas ruas desertas
da noite quase diurna.
É a arte no chão de calçada descalça que quem pisa ama.
A voz do fado bairrista e das guitarras tangentes.)
Mas sonha!

sábado, 30 de agosto de 2014

Fim

Chegou-se sorrateiramente para mais longe.
Cada vez mais próximo de quem não estava
e mais perto da solidão.
Acompanhado apenas de quem estava mais farto:
si mesmo.
Quis tirar uns dias – eternos – para viajar.
Turismo rural ou citadino ao jardim
onde as plantas são pedra regadas a lágrimas quentes.

Sorrateiro embebedou-se.
Fugiu para onde tinha a certeza que ficaria antes de ir.
Deambulou pelas ruas estreitas
onde a única iluminação que restava era um candeeiro sujo.
A luz reflectia-se na garrafa vazia de vinho barato
que lhe pendia da mão trémula.
Que olhos opacos que tinha.
Aquele olhar já não era janela para alma alguma.

Sorrateiro parou.
Tirou a gravata desapertada
que ainda lhe sufocava a goela, reprimindo o grito.

Sorrateiro gritou.
O grito arranhou-o e sorrateiro chorou.
Percorreu o que faltava da cidade.
E por dentro o que lhe faltava da vida.
Nada. Penumbra vazia era o que via.
Viver já não lhe era sinónimo de nada.

Que sorrateira morte.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ensurdece-me

Tempestuoso ensurdecedor ruído.
Traz-mo.
Berros que calem as perguntas dos outros
e os eternos diálogos silenciosos comigo mesmo.
Quero barulho que cale o barulho.
Quero gritos que silenciem os sussurros
e abafem as conversas em tom monótono
e convencional e civicamente suportáveis.

Porque não grito eu?
Porque não grita quem passa por mim na rotina?
É rara a garganta que me faça deixar
de ouvir de tão exagerado berro.
É cara a dor de querer os tímpanos surdos
de tanto estrépito constante.
Traz-me a cidade e o trânsito e o barulho das luzes
e o barulho dos pensamentos dos anónimos
e o barulho da arte de viver de cada um.

Ou só o barulho da arte.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sê de Companhia

Não queiras ser a sós.
Não queiras ser só, a sós.
Só querendo ser com alguém, serás.

Houve geada, sim. Gelada.
E chovem-te as pestanas em água salgada.
A bala que te dispararam era algodão,
comparada com o chumbo que choras.

Não queiras emigrar de ti.
Viaja para mais perto.
E não te chores.

Choras para te lavar de quem?
Alguém que te faça sentir
e sinta reciprocamente?
    -Tão longe.

Viaja para mais perto.
Berra nas letras.
Sê a descoberto e sê em versos.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Elixir

Pudesse a água embebedar.
Afogar esta dor de cabeça.
Diluir esta dor de vida.
Hidratar os rasgos mínimos de inspiração
e dar forma à poesia que teima em nascer em versos soltos.
Abrir em mim afluentes sem nascente própria para além da arte.
Arrastar-me na corrente gelada e ordenar-me a ir
sem que eu tenha de decidir por mim a que foz quero chegar.
Com que voz quero falar.
Transpirar para fora de mim, qual lágrima de quilates sujos.
Erodir-me e reinventar-me a partir dos meus sedimentos,
tal qual areia colada a cuspo.

Pudesse a água curar depois toda a ressaca de existir.

sábado, 12 de julho de 2014

Auto

Quem és senão tu dependente de ti mesmo?
Quem és senão tu à deriva da vida que levas?

Estranha-te. Foge-te.
Quem és senão as tentativas de te fugires?

Vê-te.
Quem és senão o reflexo de ti no espelho dessas fugas?

Ouve-te.
Quem és senão os ecos dos teus próprios silêncios?

Senta-te ao colo de ti.
Quem és senão o teu conforto?

Sonha-te.
Quem és senão o impossível que te desejas?

Chora-te.
Quem és senão a hidratação das tuas maçãs do rosto?

Sê-te.
Quem és?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dois

A chuva que me molha não me lava.
O tempo que passa só me envelhece.
Enquanto o meu sangue arrefece.
Enquanto vejo o mundo
com olhar de quem não esquece.
Ele passa.
Estamos parados na gare.
Vemo-lo passar.

Ah, máquina de vapor que por ninguém espera.
São dois dias, dizem...
Mas o comboio que leva os séculos e os meses,
em segundos, esconde o que desejámos tantas vezes

Mas há rotinas e empregos e correrias.
Pelas ruas estreitas e pelas avenidas de gritarias.
Fatos de gravata e fatos de macaco,
Homens motorizados e refugiados no tabaco.

São dois dias, a vida.
Dois dias que tentamos esticar.

sábado, 5 de julho de 2014

Orgânico

Pudessem as rugas ser expressão.
E não vincos rasgados na pele engelhada
dos anos já bombeados por um coração
entupido de mágoas eternas e internas.
Coágulos ferrados às paredes das artérias que somos por dentro.
Vias rápidas alternativas para as células cansadas.

Tomara que houvesse um comprimido
engolido com água bem fresca,
que entrasse em nós e fosse à pesca
dos males que nos entopem o sangue.

És a nódoa mais negra e o arranhão que pior sarou.
És calo em mão de poeta, que escreveu, leu e apagou. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Só quando olho sozinho vejo direito. Não há outra maneira de olhar senão sozinho. Sem que ninguém, senão apenas eu, me interrompa as teorias acerca do tudo o que há, de tudo o que devia haver, da maneira como tudo o que há surgiu e de como estará para surgir o que nada há. Só quando só, me digno a absorver cada reflexo do céu amanhecente em cada ondulação do rio.

Haverá outra maneira de ver senão sozinho? 

Os diálogos silenciosos de mim para comigo não deixam que nada me seja alheio. E tudo é barulho. Mesmo o silêncio urbano da madrugada lisboeta. E as ruas desertas da Lisboa dos poetas. Só quando só, me são constantes. Por ninguém me passar despercebido na rua, no caminho para cá ou na fuga para lá, cada um faz parte de mim sem que eu faça parte de nenhum.

Haverá outra maneira de falar senão sozinho?

É sozinho que me duvido. E me divido em dúvidas. E duvido dos outros e ponho tudo em causa. Pondero duvidar, e duvido mesmo. Há que pôr tudo em causa se quero saber a causa de tudo. Só quando só, me digno a crer. É na dúvida que sempre esteve a resposta. Não tenho dúvidas disso. A sós, eu e a conclusão concluída com ponto de interrogação.

Haverá outra maneira de ser senão a sós?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Fogo Posto

Deixa o fogo acontecer.
Deixa o espelho dobrar quaisquer cinzas que resultem.
Chama os poetas a recolher os restos das chamas.
Os carvões que não arderam,
os que arderam demais,
e os que deixaram de arder
por lhes faltar o oxigénio de um beijo apertado.
Chama lá os poetas a recolher o que sobrou do fogo.                 
Fogo posto.
Mal disposto.
De bom gosto.

Que a tinta com que traduzem
os restos em palavras bonitas seja fogo também.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fúteis

Ó anónimos fúteis bordados a ouro,
que desfilam no mundo desigual de nós.
Ó calhaus preciosos, andantes e vazios
que pisam quem acham que nada é.
Talvez seja melhor a morte, que a fama
e as algibeiras cheias do que move o mundo.
Ó anónimos fúteis que fazem que tudo
se vá movendo à mercê do combustível dourado.
Deixem o amor mover o mundo, ao invés do ouro
e das tiras de papel desbotado e estampado.
Talvez seja melhor o amor, que a fama.

Ó breu, que cega os ricos, casa com a manhã.
Traz uma penumbra saudável.
Que o amor conduza os anónimos, e os fúteis.
E os anónimos fúteis e os fúteis conhecidos.
Talvez seja melhor a morte, que o amor.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Metáfora

Vês a maneira como a luz entra nas persianas,
e cospe na parede as sombras das vidas urbanas?
É metaforicamente o amor.
E literalmente o amor.
Ou achas que alguém deixa as persianas meio abertas,
senão para deixar o amor entrar?

Vês a maneira como não consegues agarrar o fumo,
porque é leve e livre de seguir sempre o seu rumo?
É metaforicamente o amor.
E literalmente o amor.
Ou achas que o amor se deixa prender,
senão pelas mãos de quem não escreve?

Vês a maneira como a lua sobe às cavalitas do céu,
tão longe e inatingível e impossível como tudo o que é meu?
É-me metaforicamente o amor.
E literalmente o amor.
Ou achas que o amor se criou,
senão à semelhança dos astros?

Vês a maneira como não existes?
Sê-me, pelo menos, metaforicamente.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Espaço

SSS

Copos.
Vamos vivendo meio cheios até nos suportar.
As lágrimas choram-nos
quando o recipiente que sempre fomos transborda.
Cada vez que deixamos de caber em nós.

Ficando de companhia com todo o meio vazio que nos enche.

domingo, 15 de junho de 2014

Declararam-se

Olharam-se, e para além do que viam
estavam eles próprios, de olhos postos um no outro.

Beijaram-se, e para além do que derretia
estavam eles próprios, de almas postas no beijo um do outro.

“Quero-te numa infusão.
Beber-te. Apaixonar-te.
Não fosse chá sinónimo de Inverno.” – declararam-se.

O manicómio são as ruas.
A loucura está escrita nas paredes e nos lábios.
E os loucos são os apaixonados.

sábado, 14 de junho de 2014

Ilocutório

Rasgou a tela e inventou a arte;
-A tinta.

Correu pelo pergaminho e compôs o esboço;
-O carvão.

Moldou a vida, qual peça de gesso pálido;
-O medo.

Cerrou a corrente de ar com os dentes;
-A força.

Fugiu do mundo, para melhor, talvez;
-O amor.

Bateu à porta com as unhas lascadas e pariu o silêncio;
-O nada.

Viveu capaz de olhar melhor para a noite, a noite toda,
até descobrir o que ela tem de tão belo que o dia não vê;
-Tu.

Derreteu tudo em versos;
-Quem?

quarta-feira, 11 de junho de 2014

De que cor é a morte?

De que cor é a morte?
Transparente, cor das lágrimas gordas
que me doem ao desvanecerem-se no rosto?
Branca, desbotada, cor do meu bocejo
de encontro ao ar frio onde me encosto?
Ou preta? Cor de mim por dentro?

A existência esqueceu-se de que era enigma.
A morte lembrou-se de que era a resposta.

“Cala-te!” – grito para o despertador sonante
que me acorda para a morte.
“Só mais cinco minutos…” – sussurro,
enroscando-me nos poucos cobertores
que ainda me aquecem a vida. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Corda


Sento-me à espera que o tempo passe.
Com o tempo a meu lado, à espera que eu passe por ele.
E ficamos um ao lado do outro, como quem espera por si.
Enquanto ficamos nada é eterno, e tudo dura para sempre.
Não há horas que passem, nem receio chegar atrasado.
Os ponteiros estão sobre o meu ombro com preguiça de rodar.
Talvez fiquem tontos. Um quarto de hora. Três horas e meia. Seis horas e três quartos. Dias.
E os ponteiros não se agoniam?
Nesses ciclos viciantes, estonteantes, repetidos
e sofridos e aproveitados e sôfregos?
Pudessem eles rodar em sentido contrário para contrariar o sentido habitual.
O sentido contrário aos ponteiros do relógio.
O sentido contrário a si mesmos.
Pudesse eu andar em sentido contrário a mim mesmo.
E em sentido contrário ao do tempo.
E correr em sentido contrário ao do trânsito, e mais rápido que a luz.
Essencialmente em sentido contrário ao do tempo.
Pudessem os ponteiros acertar-me e enterrar-me no cimento que piso.
Prender-me ao chão que me pisa pelos tornozelos sem ter como ir.
Sem ter como ir atrás do tempo.
Sem o tempo a empurrar-me para onde quer que ele vá.

Quem é o corajoso filho da puta que dá corda ao relógio do mundo?

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O Amor é Tudo Menos Cego

O amor é tudo menos cego.
Vejo-te e amo-te.
Vejo-me obrigado a ver-te e a amar-te.
Vejo-me obrigado a ver cada centímetro de ti,
quer por dentro, quer por fora.
O amor com que te amo obriga-me a ver-te.
Só te amo quando te vejo.
E não há segundo na vida em que eu não te veja.

Espio-me

O chão não é silencioso
e range quando eu, inerte, me espio.
As tábuas que jazem a meus pés
gemem despertando-me para a minha presença.
Mais uma vez não me conheço.
(O que há para além de tentar?
O sucesso? A morte?
E não é a morte o sucesso de viver?)
Tanto me espio como me perco de vista.
Vejam-me. Olhem para mim!
Vá, olhem e digam-me o que vêem.
O que é que eu sou, que não sei ver?

Soubesse eu conhecer-me em versos.

domingo, 8 de junho de 2014

Faz-me-te

Mente-me. Finge.
Não me digas quem és e rasga quem sou.
Faz-me sentir verdadeiramente
para além do vazio que trago.
E de um trago bebe-me a alma
e embebeda-te de mim.
Sê quem quiseres e não me agrades.
Prende-me às grades de ti e eu choro.
Um choro soluçado de um eu desalmado.
Faz de mim o teu orgasmo
e responde-me com rude sarcasmo.
Faz de mim um mero caco
e desfaz-me como o teu tabaco.
Vicia-me em ti.


Sinto que existo. Num silencioso grito,
traz-me uma fonte de prazer infinito.

Pena Perpétua

No milagre - ou acaso - que somos,
pouco fazemos para ser realmente.

Qualquer carreira de sucesso,
ou dinheiro ganho em excesso,
na hora da morte, de nada valeram.
Nem valerão. Fechados num caixão;
Naquela caixa, apertada e baixa, presos no eterno.
Sonhando com nada, esquecendo o que nos foi terno.
Duvidando da existência de um céu ou de um inferno.

No entanto nasci.
Nasci e estou condenado à existência,
estando preso à liberdade
do livre-arbítrio do Homem.
Cercado pela amizade, ódio e paciência,
emoções que me consomem.

Decidi durar nesta biografia de mim.
Mesmo que a morte seja certa
e a finitude de tudo o que sou seja deserta.


Nasci. Durarei.

Está um bêbedo no meio da estrada.

Está um bêbedo no meio da estrada.
Cheira a colónia barata e vinho de mesa.
Tem a vida embriagada de si próprio
e bebe lado a lado com a tristeza
de ser bêbedo e de estar no meio da estrada.
Bebeu para esquecer e esqueceu-se de beber menos.
Mais um anónimo com sangue no álcool…
Pudesse ele conhecer a sóbria distância entre
esquecer e relembrar a sobriedade.
Caiu de encontro ao alcatrão, que lhe escutou os segredos
escondidos pela racionalidade que o álcool devora.
A estrada respondeu-lhe com o silêncio que ele merecia
e ofereceu-se para ser cama.
Está bêbedo.


Só tenho pena de estar no meio da estrada.

Alheios

São das pessoas que passam por mim na rua,
os meus pensamentos.
Cada uma mexe as mãos de maneira diferente.
Todos olham em frente perdidos em si.
Uns andam devagar, à espera de tudo.
Outros andam tão rápido como se tudo estivesse à espera deles.
Uns beijam-se.
- Amem-se!
Eu penso por todos eles, e observo cada um.
Passam alheios ao mundo.
Pudesse eu ser-lhes alheio.

Aquelas riem-se.
Aqueles despedem-se.
Dos engravatados aos amarrotados,
todos perdidos em si.
Ah, e dizem palavrões!
Merda para eles por serem alheios a tudo.
Pudesse eu ignorar.


- Amem-se!